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A mostrar mensagens de dezembro, 2008

this is it

Para rescaldo - com a rusga fresquinha, fresquinha na memória, era isto ou a foto de um recém-nascido com icterícia.

propriété et propreté

Garçons de tout l’age vieux et pas vieux garçons tombant et pas amoureux des jeunes et pas si jeunes filles de la société de verre, il faut se tenir ses gardes des valeurs axiales, de la fleur des pois de la femme bourgeoise : propriété et propreté. Vous en avez où vous n’en avez pas.

pastoral crioula

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A que vêm a menina e o modo no último dia do ano? Vêm donde têm de vir, melhor dizendo das minhas impureza visceral e querela com guarda-chuvas e do Réveillon , que puxa o francês contra o inglês e o português à vez, que puxa ao bocejo bem dado, que é outra coisa – não, não é triste nem é fado nem se refere ao Conde de Ferreira – e que encaminha para uma lição para profissionais sobre o remanso, o nullius coitus , os absorventes femininos (tampões, pensos higiénicos, etc.), a indústria d’ostras e a minha relação canhestra com a técnica de suavização de desmandos internos e externos conhecida por eufemização. Acha tudo estapafúrdio, leitor(a)? Vá por mim, que tenho uma posição estimável e insuspeita na vida e muito bem acompanhada pelo Thomas White. Não sabe quem é, nem o que fazia ou quando viveu e por quanto tempo? Escusa. That deadly pyrrhonic poison é só uma frase assassina entre tantas outras.

landschaft mit entfernten verwandten

Ele é isso e não podia ser ou comer os do lado, sim senhor, maranhinha (ou estrondo no tubo d’escape) para puxar o número ao pinga-amor de donzelas resgatadas da sarjeta e das horas de entrada e saída nos balneários de gabirus e trinca-espinhas em trajes menores. A troça amofinada e a última oportunidade darão para uma homenagem tardia ao Deus não-Núbio – aqueles olhos e o grelo em que se embargaram não enganam ninguém. Primar-se-á – como sempre – por conversa mole – o nadir da vida sem vontade própria. Ele – ele o do fio de fumo, da voragem d’ar poluído e das paradas por defeito da meia-idade para ter juízo em diante – foi o homem que nem a chegar o ferro ao fogo pisou o risco, preferindo esbanjar o melhor do trato adúltero a galgar a vida monástica – isto não faz sentido, mas quem esperar levar daqui texto salvo pela lógica sai (descon)fiado e baratinho atrás do José Eduardo sob votos insistentes de boa sorte; o homem – ainda ele! , como diria o saudoso Alves dos Santos – que já est...

Último dia na fábrica

É já noite, a fábrica continua a laborar normalmente, eu estou e não estou: que esquizofrénico o presente já passado.

como seria jesus se viesse hoje à terra?

Presença serena Que a tormenta amansa; Nela, enfim, descansa Toda a minha pena. Seria a Bárbara - imenso, colossal, grandíssimo, às vezes grandessíssimo Camões , um regalo para a vista e um sarilho para os pais , e mais não digo para não ofender as minorias e seus porta-estandartes erectos - maldita função literária que me denuncia todo o dia a toda a hora - em pessoas chatas com'a putaça .

pergunta

Agora a sério: o que vens aqui fazer?

שלום עליכם e السلام عليكم

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porque hoje é o dia

Todo o sentimento (Chico Buarque, Cristóvão Bastos, 1987) Preciso não dormir Até se consumar O tempo Da gente Preciso conduzir Um tempo de te amar Te amando devagar E urgentemente Pretendo descobrir No último momento Um tempo que refaz o que desfez Que recolhe todo o sentimento E bota no corpo uma outra vez Prometo te querer Até o amor cair Doente Doente Prefiro então partir A tempo de poder A gente se desvencilhar da gente Depois de te perder Te encontro, com certeza Talvez num tempo da delicadeza Onde não diremos nada Nada aconteceu Apenas seguirei, como encantado Ao lado teu

perdoa-se o mal que faz pelo bem que sabe

Por um daqueles fretes do destino em que o domingo é pródigo, encontrei ontem o José Eduardo. Está velho. O corpo enfunou, veste sem gosto, sem alinho. Um caco, que o pivete a fritos entranhado na fatiota coçada franqueia à náusea orgânica. Sem me dar ensejo de escusa, pegou-me pelo braço e verteu porrigem sobre a corja prosperante da política e da imprensa, na ideia lá dele gente arteira, untuosa, tão módica nos afectos quão prestável e subserviente ao trato dos poderosos da economia e das finanças. No crescendo encontrou Lisboa. Demorou-se em Lisboa, A Pestilente . Tirou uma folha amarfanhada do bolso direito do casaco. Retinha uma passagem do Journal of A Voyage to Lisbon , opúsculo póstumo de Henry Fielding, publicado no ano do grande terramoto e das valas comuns a perder de vista. Fez questão de a ler, conferindo ao acto aparato de mensageiro do Soberano. If a man was suddenly to be removed from Palmyra hither, and should take a view of no other city, in how glorious a light would...

freak show

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Tanta agitação é obscena. E desumana. Conservo a imagem do centenário arreado a revolutear a bengala enquanto caminha com agilidade entre semáforos imaginários para reaver ex nihilo a longevidade: isso de ter feito cinquenta anos foi há muitos, muitos anos , ouvi-o afiançar. Não é o homem nem são os filmes que apuram a adjectivação, aparelham medalhas e bustos, insuflam a comissão do produtor, o estado de coisas; é só a vida que teima. O (des)investimento de forma é falso como Judas? Se fossemos notados, abster-me-ia. Obviamente.

regressões

No post abaixo eu tenho 20 anos, morro de medo e atiro-me pra frente, morta de medo de morrer de medo e ficar parada num lugar sem luz. Ontem tinha 20 anos, hoje tenho um bocadinho mais, mas não tanto assim. (a escrita denuncia-nos a idade e a imaturidade)

Vida nova (mais um post ingénuo)

Estou a olhar para ela: e agora, como é que é? É a minha vida, mas é tão nova, tão nova. Vou-me habituar depressa? Consigo? Boa, gosto de miúdas corajosas , disse ele E eu senti-me uma miúda. Talvez também seja por isto a vida nova.

autópsia de um cadáver também esquisito

Quem éramos quando parecíamos pacificados e o que era falso nisso. Qual foi a veia que rebentou. O que provocou a embolia. De tudo o que se disse, o que era totalmente mentira, o que era metade mentira, o que era inventado, o que era resultado dos drunfos. O que era apenas ironia: se dizíamos uma coisa, era exactamente o contrário o que se queria significar? Onde estava a verdade, essa puta.

solta o déspota que há em ti*

À parte um pormenor sem importância à escala (literalmente) astronómica, estou entre mandar bocas e mandar vir . Há pior. * Lembrando, com eterna saudade, solta o Robespierre que há em ti - de que não há nem haverá memória (futura, descritiva, etc., etc., etc.). Para os pontos nos segundos ii (merecidíssimos), tudo começou aqui , e por aí ficaria fosse o desfecho de quarenta e cinco respostas muito bem medidas um cérebro aprisionado num corpanzil. Não é o caso, fazendo-me recordar o dizer da senhora minha mãe sobre o senhor seu filho varão, primogénito, único e predilecto: tu saíste-me enxertado a corno .

(moorish) gecko

That’ll be the day!, says me instead, a stop-a-gap in lofty spirits. And so I should (Jack ain’t nippy any longer) go on singing this’ll be the day that I die .

via lenta

Dei com ela no lanço de escadas à saída de casa. Às avessas, inerte, a cabeça triangular e o fole amarelado patentes, gotejados copiosamente. Não estava deformada, nem ferida. Estava apenas definida como morta. Munido de plástico de dimensão certa e pequena vassoira, preparei-me para lhe dar destino de detrito orgânico. Mexeu-se. Pouco, bastante. Não me entusiasmei. Percebi que agonizava. Estava apenas como se pudesse ressuscitar. Com uma velha espátula de madeira virei-a trazendo vagar, delicadamente. Pousou e quedou-se. Menos de não saber para onde ir que da dormência que a expunha à natureza, ao predador e ao treino da criança. Acrescentaram-se minutos a decidir que fazer. Faltou-me cor e pulso para a compaixão, a paixão partilhada, o golpe de misericórdia. Empurrei-a para uma pá em cuja face fixou as ventosas dos membros arqueados, exauridos. Transportei a pá e a sua ocupante até um telheiro. Não está frio, lá a chuva não a atormentará. Isto foi de dia e agora é noite. A manhã trar...

neófito

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Nada de juízos precipitados. Eu sei que mete medo mas antes isso, quer dizer antes ficar indeciso ou mesmo dividido entre esprit de géométrie e esprit de finesse que noviça, freirinha ou caloira, ou seja vamos-lá-a-ver-se-é-desta-que-tiro-a-barriga-de-misérias-carnais-qu’o-espírito-santo-já-deu-o-que-tinha-a-dar. Mais coisas? Suba ou não à cabeça, conte ou não para o totobola - obrigado, Margarida, Deus te pague na mesma moeda - o Pascal só me afugenta a freguesia.

dos bons sentimentos

O amor não romântico é um bom sentimento. Esporadicamente, o amor romântico calha sê-lo. O ódio é quase sempre um bom sentimento, como a cafeína para a doença de Alzheimer. A indiferença não é um sentimento e, por isso, é perfeita. Já não me dizes nada .

eu quero seguir vivendo, amor (agora só a letra)

Caminhando contra o vento Sem lenço e sem documento No sol de quase dezembro Eu vou... O sol se reparte em crimes Espaçonaves, guerrilhas Em cardinales bonitas Eu vou... Em caras de presidentes Em grandes beijos de amor Em dentes, pernas, bandeiras Bomba e Brigitte Bardot... O sol nas bancas de revista Me enche de alegria e preguiça Quem lê tanta notícia Eu vou... Por entre fotos e nomes Os olhos cheios de cores O peito cheio de amores vãos Eu vou Por que não, por que não... Ela pensa em casamento E eu nunca mais fui à escola Sem lenço e sem documento, Eu vou... Eu tomo uma coca-cola Ela pensa em casamento E uma canção me consola Eu vou... Por entre fotos e nomes Sem livros e sem fuzil Sem fome, sem telefone No coração do Brasil... Ela nem sabe até pensei Em cantar na televisão O sol é tão bonito Eu vou... Sem lenço, sem documento Nada no bolso ou nas mãos Eu quero seguir vivendo, amor Eu vou... Por que não, por que não... Por que não, por que não... Por que não, por que não... Por que...

alegria, alegria (e o melómano aqui é o João)

Restauração

É tomar uma decisão, passar por todo o processo de dúvidas e paranóias, e finalizar com a luz da absoluta convicção. Gracias a la vida que me ha dado tanto Não m'interessa que isto esteja piroso: eu sei que um jorro de felicidade não dá grande post.