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A mostrar mensagens de abril, 2008

vivre sa vie

Aime-moi, ne lui apportant pleinement le sentiment qu’aux dernières minutes où les épées tourbillonnent dans le vide. Vivre sa vie. C’est bon, non ?

litterae non entrant sine sanguine

Ando com esta. Da fome, que é negra; pelos punhos de renda, que dispenso; ao fogo, que é do fogo. Nas estrelas, em as avistando, e de mim, se peneiro. Não é d’agora portanto que remoo o desígnio, a condição e a coisa concreta. Do auto consta: em letras garrafais, a cria seguirá as pisadas e escorraçará os demónios ; e em letras miudinhas, se e só se e quando concluir a missão poderá fazer ó-ó como um anjo .

era das identidades fluidas

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Uma ova. Não abdico de nenhuma. Nem no dia - que venha longe, às três pancadas e não calhe em data de certame - da apoplexia. Nonetheless, you may call me Bill, Ma’am.

duma figa

Os mais crescidos e morbidamente meditabundos lembrar-se-ão de um certo Quinn – evitar-se-á a patifaria de fazer da homofonia pé-de-cantiga de polifobia – que há tempo que houve lição pueril e amanhã cantado em três em cada cinco foi visto de braço dado com o Santana Lopes no Cais do Sodré a fazer concorrência desleal às beldades do bairro. Ontem vi-o igual ao que era e ouvi-o sem perder pitada resumir sete anos da minha vida: understand that emotion as opposed to being swept by it . A despeito da pontinha de inveja enfiada a martelo sou obrigado a reconhecer: irlandês duma figa, sabe-la toda.

ideia redentora

O cabrito é um dos últimos animais?! Um achado. Lá há mais, fábulas (ou mitos?) do princípio e da destruição, a corda infinita ali, de mão beijada. Com proveito pessoal. Do (insistente) piscar da caveira, tornei à vala comum, remate de dias tormentosos. Dias de encapelamento, umas atrás das outras, caprichos sob a mesa e nas áreas de serviço, baterias assestadas à linha do horizonte, fogo amigo no pico fatídico. Gilded exile e itinerância desde aí, privando em privado, privando-me da simpatia e da gratificação imediata, manha – julgava eu – de gente que leva a fava à risca, cutting everyone dead . Muda-se enfim a figura à finíssima força da reabilitação da pessoa suína, notícia que traz de volta à voga a lettre de cachet . Não haverei mais de me agalanar à juiz de sinuca, todo o brio epigrafado nas luvas vestalinas, para agarrar com unhas e dentes as pérolas que me dão. Assim me não peçam para assegurar as despesas – da mercearia e da conversa – ou embarcar na captatio benevolentia...

le (dé)goût des autres

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Marlene Dumas, The Teacher (sub a) , 1987 [Oil on canvas] Provavelmente para matar o vício. Devendo-se à fé. Que deixa a desejar.

um especialista em comida instantânea

fica varado com um bacalhau desfiado à mão e escapa-lhe o segredo das cozeduras lentas. Mais do que os outros, fica de boca aberta. Isto não tem que se lhe diga, nem a expressão é assim tão má. Os meus parabéns obnubilados, João.

for all thy worries (not so easily removable)

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Claire Harvey, Easily Removable (detail), 2006-7 [acrylic on removable scotch tape, dimensions variable]

momento paróxico

Há coisa de duas horas chegou ao meu conhecimento que o monstro sagrado que fazia westerns e que pelo baptismo adquiriu sem tir-te nem guar-te o nome de Sean Aloysius O'Feeney (ou O’Fearna) – do qual se veria livre anos mais tarde para dar conta do recado e compor um ror de pés-de-meia, entregou-se d’alma e coração a sequenciar milhares e milhares de fotogramas em celulóide de pilas e rapagões fardados a afagá-las com todo o jeitinho. Logo eu, que nunca olho a despesas e raramente para as franjas da sociedade, e logo hoje, que é dia de passar d’artista a gato pingado da sopa em que todos molham, tenho de me confrontar com esta bordoada monumental na minha costela mitómana. Vá lá que substituíram as bolas das cores todas e nenhuma por uma de cristal. Que me diz? O óbvio. Espinhoso, espinhoso vai ser dar de caras com os uniformes e não perder – perder as in arruinar – a compostura. Não vem lá coisa boa, não.