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A mostrar mensagens de fevereiro, 2007

nachstation

Die zwei blauen Augen, Lieder eines fahrenden Gesellen , Gustav Mahler Thomas Hampson, bariton Wiener Philharmoniker, Leonard Bernstein Die zwei blauen Augen von meinem Schatz, Die haben mich in die weite Welt geschickt. Da mußt ich Abschied nehmen vom allerliebsten Platz! O Augen, blau! Warum habt ihr mich angeblickt? Nun hab ich ewig Leid und Grämen! Ich bin ausgegangen in stiller Nacht, In stiller Nacht wohl über die dunkle Heide. Hat mir niemand ade gesagt, ade! Mein Gesell war Lieb und Leide! Auf der Straße steht ein Lindenbaum, Da hab ich zum erstenmal im Schlaf geruht! Unter dem Lindenbaum, der hat Seine Blüten über mich geschneit, Da wußt ich nicht, wie das Leben tut, War alles, ach, alles wieder gut! Alles! Alles! Lieb und Leid! Und Welt und Traum!

encruzilhada

Estamos mal, mortiços, do fundo do coração aos bolsos vazios, dos abismos fronteiros ao catre, oprimidos pelo sim e pelo não e pelo paradoxo do homo sacer(inho) – ah, nas horas difíceis o majestático é mesmo um consolo. A clandestinidade (quase cumprida à risca) já foi chão que deu uvas, mas a alternativa – sair do baú da copa da cozinha para o mundo – é um compromisso demasiado virgulado (e ingrato) para nosso gosto – além de que dispensamos os guizos, a propaganda e a provável pateada. Como estamos, gastamos o que temos e o que não temos a resmungar: isto não pode continuar assim e assim sucessivamente. Uns náufragos mal agradecidos e piegas é o que somos. A fazer por uma vida de becas, bodos variados, tinto do bom, sexo do bom e do bonito, algum ar puro e nódoas laváveis com sangue, suor ou lágrimas. Eis-nos. Entre o realismo e os doze anos. Não obstante os indícios, isto não é o começo e o fim de uma contrição (guinada?) cadavérica. Voltaremos. Aqui, noutra balsa, os mesmos ou ma...

mnham, mnham

Imagem
Uma constante gravitacional: até os olhos me saem das órbitas. E ninguém me aconselhe a fazer vista grossa ou a provar a firmeza das mãos dentro dos bolsos ou diga havia de ser lindo . Ou lhe recomende decotes generosos, montadas à amazona e joelhos unidos a entrar e a sair dos coches modernos. São coisas que só lembram a quem ou não adquiriu as competências básicas ou cegou de raivas antigas ou é totó que empenhou a inteligência e a castidade no Procès verbal fait pour délivrer une fille possédée par le malin esprit ou usa e abusa da palavra deveras ou da expressão nunca se sabe ou de piqueniques em aterros sanitários, pasto para as formigas e para as barreiras da sociedade. Qual boneca qual Deus criou a mulher qual moleskine dionisíaco escrito entre o Douro e a Estrada da Circunvalação qual carapuça. A ideia é boa demais para ter categoria.

(das ist keine) Liebeslied

Mutti, spürst du mich? Heut Nacht komme ich über dich.

my very own cause célèbre

drôle d’emmerde

Gilels subjectivity? The hell with alteritate conjecturali . I’m all for hic et nunc scenes instead of mind-numbing plots.

elisabete

A única coisa que retive do bate-papinho d’hora meia morta entre a Judite e o Fernando José na RTP1, logo a seguir ao futebol. Já não fico estúpido nem ponho os olhos no chão com estes deslizes de parvenu cobiçoso e de meia-tijela de arroz e feijão, tanta a louvaminha aos seus. Estou apenas e só mais pedante. Cada vez mais. Como estou cada vez mais ansioso pela alta da dra. Chica para ir rapidamente e em força à Rosete.

drôle de paix (éternelle)

Emil Gilels, a superb pianist, one of the most acclaimed of the 20th century, a true sucker for virtuosity and surely a Beethoven’s sonatas and piano concertos must (anyhow, my favourite), was once asked: where do you want to go from here? He pointed downwards and said: deeper. A damn good answer. Indeed, damned. A couple of months later, at the age of 68, well within the peak of his masterful powers, Gilels died during a routine health check. So, little did he know how first-class a hunch it was. Had he known, he might have preferred the self-absorbed (and less scorn-friendly): dig me , a sobering reminder that one should not brag about the capacity to carry out exquisite fingerjobs.

drôle de paix (éternelle), revisited

On second thoughts, it is highly unlikely that Gilels would feel confortable giving in to such a smart-ass, done away, self-façade token. After all, the parvus mundus it belongs to is but a sort of broad-spectrum plea for a bond-free, volatile, on-the-move, next-please geistige being, hence a useless punk.

puppet me

Forse ho trovato una splendida risposta al problema del sovraffollamento blogosferico.

rico

Começo da tarde de hoje. Asténico, de uma pirexia alta e ruim, pego no telefone, ligo para o Centro de Saúde umas ruas acima, paredes-meias com anexo de alguma memória, um incidente de compêndio, três ou quatro safanões e outros tantos atropelos ao português de lei, umas tarjas pífias e o mais magnético par de olhos que encarei na vida – este sim, daria lastro para dramalhão e uivos, não excluindo a anedota picante. Averiguo funcionamento e horário. De lá, fêmea vivace: tá’berto, rico, até à meia-noite . Ipsis litteris, sem tirar nem pôr. A gente aplaude a humanização dos serviços públicos. De pé, se for tido. Boa prática com boa prática se paga. Mas rico , passo. Ter a fama e não o proveito é muito pior que ser invejoso. Supersticioso, pus o que pude (e a mais não sou obrigado) em pratos limpos na despedida: ó Minha Senhora, Deus lhe fale na alma .

doxa

Faz hoje precisamente um ano, publiquei um texto sobre a (minha relação com a) opinião e (com) a sua deriva utilitarista que torna impensável (absurdo, inconsequente, irrelevante) pensar ao arrepio da formação de juízo peremptório e invariavelmente da tomada de posição. Agora que venho de dois dedinhos de participação (muito marginal) numa campanha política, é a altura certa para o recordar (antes de mais, a mim mesmo). [O meu problema com a opinião] Não é que haja em excesso; nem que as pessoas, escudadas no seu carácter sacrossanto, falem com ligeireza e fast thinking do que não sabem; nem sequer que, através da colagem da livre expressão à opinião, esta tenda a colonizar a esfera pública prensando outras modalidades de expressão a ponto da microscopização. O meu problema com a opinião é que ela encerra uma gramática assertiva, afirmativa, categórica que se coaduna mal com inquietações, perplexidades, dúvidas, interrogações. Quem opina por regra define, assevera, firma-se, toma posi...

14 de Fevereiro

Dia dos namorados e da disfunção sexual, dia dos trombeiros portanto. Não me atrapalha nada. Nem a efeméride nem a mudança de ares. Não é um minete aplicado numa moçoila escarranchada¹ que desgraça a vida de um homem. Desde que não dispense umas salmodias aquíferas antes de galgar horizontes menos cavernícolas, o título fica com ele. ¹ O diabo é se aferrolha as gâmbias. Com a função respiratória comprometida, é que nem a lei da utilidade marginal decrescente se faz sentir.

habeas tortus

De €480 para menos de cinco cêntimos per capita . E um M.I. juiz-conselheiro, palpitativo e todo ele desfavorável ao regabofe (mas não se pode defenestrá-lo?), desautorizado na praça pública. Até seria cómico não fosse, na segunda vaga, vir de lá uma ideia perturbante: pobres de nós, entregues a esta bicharada. Agora quero ver quem é que se chega à frente para pagar a sua fracção da continha. E não digo pago para ver porque é a tais que voam quatrocentos e oitenta dele.

(fil)odisseia

Os curas (ou serão só vigilantes?, ou até mangas-de-alpaca?, ou macaquinhos de péssima imitação?, vanguarda canina?, soldadinhos de chumbo?) do Ser não leram o pastor-mor Heidegger. Se o tivessem feito talvez estivessem com a cabeça a rodar no mesmo sentido que a minha. Sempre me pareceu que a tradução de sein zum Tod para ser para a morte era obtusa. A bem dizer, frívola, daquela género de toca-a-andar intelectual que um Kant esprimido até à ironia designaria sehr vornehm, chiquérrimo . E isto é o que me apraz dizer sobre o que (não) se passou anteontem. Para já.

fim de festa

Dever cumprido (yes!!!), treme o santo solo conquistado aos mouros – deliro ou a voz da terra fez-se mesmo ouvir? – e eu, entre larós e idas ao vunvum, volto a escrever sobre nada (não, não me refiro a estas linhas como dizer… reverberativas). Já tenho saudades da vida de mandriice das duas últimas semanas.

Marta me mata!

Isto, que grelou (e assim digo porque nada digo ao acaso) de uma emoção avassaladora numa destas madrugadas em que o pequeno ecrã não me deu descanso, pôs-me num estado lastimoso. Não só é ridículo e malbarata a dementia libertina que me faz correr por gosto atrás de qualquer fêmea humana maior de idade bem cheirosa e anatomicamente apetitosa (silhueta frou-frou , de alcatreira, não, obrigado), como não leva a lado nenhum. Nem bem conversadinha com falinhas entre o manso e o mitomaníaco à Lobo Antunes. Nem com os predicados morais de Monsieur de Valmont. Nem com sais de frutos, chás exóticos, ostras e outros acepipes que restituem os sentidos à carne. Nem esgrimindo com fogosidade as Sagradas Escrituras em demoradas serenatas. Nem invocando o sufoco pelo mermar dos números que nos une até domingo. Nem fantasiando-me de volatim e repetindo, mil vezes repetindo l’amore senza malicia non è vero amore . Nem acenando com riquezas das arábias e títeres com feições de Brad Pitt. Nem… Bom, a ...