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A mostrar mensagens de setembro, 2006

cavalheirismo rústico

O Lola ch’ai di latti la cammisa Si bianca e russa comu la cirasa, Quannu t’affacci fai la vucca a risa, Biato cuit i dà lu primu vasu! Ntra la porta tua lu sangu è sparsu, E nun me mporta si ce muoru accisu… E s’iddu muoru e vaju mparadisu Si nun ce truovo a ttia, mancu ce trasu. «O Lola ch’ai di latti la cammisa», Siciliana, Cavalleria Rusticana , Pietro Mascagni Quando o corno não é manso e sabe umas coisas de artes marciais, é uma grande chatice, meus amigos.

intermezzo mórbido

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Letizia Battaglia, I due cristi , Palermo, 1982

intermezzo mundano

Letizia, filha, mais um Cristo a caminho?

intermezzo polissémico

Isto não fica por aqui.

código-fonte (do cavalheirismo rústico)

Se me abraçares, não me mordas (o lóbulo d)a orelha direita.

escolha você mesmo

Preto ou branco *. O que for mais (com) a sua cara. *A casa, que fez um pacto com o Diabo e com a D. Virgínia – por sinal, fazem um lindo casal, reserva-se o direito de lhe trocar as voltas sem aviso prévio.

confessioni di un malandrino

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Na foto, Salvatore “Turiddu” Giuliano, morto, bem morto há mais de meio século. Por que está aqui este siciliano descrito como (a ordem, como o próprio, é arbitrária) casanova, robin dos bosques, contrabandista, bandido, secessionista, assassino, biltre, anti-comunista primário e sei-lá-que-mais, siciliano que entre muito mais pelo final da guerra escreveu ao Presidente Truman a pedir a anexação da Sicília pelos Estados Unidos? É para aquecer os ânimos e, fazendo crescer água na boca, arregimentar crica da boa. O que é que julgam? Era o que faltava que este blogue fosse frequentado apenas por homens e mulheres de pêlo na venta.

fim da língua (onde os sons enrodilham)

Desentendeu, refez, ajuntando júbilo. Verbo Absoluto . Em tanto, crendo-me rendido, assombrei, travando as lágrimas. Rogo-lhe a audácia de que careço.

(do) sentido de oportunidade

A mim, que ultimamente tenho sido repreendido por não descer à terra e converter a necessidade em engenho, só se me compenetrou que o terrorismo veio para assentar arraial e cantar de galo quando, noutro (santo) dia, da carta de um restaurante em que considerei almoçar constava uma iguaria titulada explosão de salgadinhos . Não me interroguem sobre o pitéu. O cagaço sobrepôs-se à curiosidade, tanto que, sem que me apercebesse, apetite e dois litros de transpiração foram à vida. Recordo-me de, sem êxito por aí além, ter cogitado meu Deus, ele há gente para tudo, até para escrever direito por linhas tortas . A conclusão, que estava na cara, essa só no dia seguinte chegou aos meus ouvidos. Decididamente, falta-me génio empreendedor para me comprometer com Portugal.

ironias do des(a)tino

A mudança das mentalidades ambientalistas impulsionada, ansiada, reivindicada, propugnada, exigida, o diabo-a-sete pela (quadrilha da) Quercus et al perdeu hoje uma oportunidade d'ouro para enraizar. Como é do domínio público e de muitas outras pessoas, por obra de mão humana a cair de madura, em Lisboa, pela manhã, na Avenida General Norton de Matos, mais conhecida por Segunda Circular, levou-se à letra o Dia Europeu Sem Carros . Menos sorte teve a Semana Europeia da Mobilidade . Do tempo a voar, da impaciência a avolumar, do intercâmbio de impropérios e até da barriga a dar horas, acabou por somar mais pontos negativos que a Juventus e o Milan juntos. É o que faz querer matar dois coelhos duma cajadada. Por que não deixaram a efeméride do vaivém para outra núpcia? Cambada de amadores.

lições de vida

Apeado mas com o freio nos dentes, cresci a ver a banda passar. Caso nem único nem primeiro nem último mas chave para conhecer o meu cepticismo relacional, o da filha da porteira, viçosa, admirável e promissora como a I República antes de dar para o torto, desfecho que, como provavelmente sabeis, protelou menos que as filmagens do Apocalypse Now do Coppola e a parte de leão das teses que se fazem por aí e incomparavelmente menos que a 8ª Sinfonia de Schubert. A cachopa introduziu-me às canseiras da boa vida mas não passou dos sinais e da atitude. Para meu desgosto, foi ao finório para os lados de azeiteiro de Porsche de alta-roda que saiu a sorte grande. Vejam lá que o sujeito até dependurara no espelho retrovisor do bólide uma miniatura de pandeiro com a inscrição: eu só toco d’improviso . A ingrata porém não quis saber. Mal ele ofereceu o caneco, ela deu-se a governo e lá foram carnear, na minha modesta opinião para o diabo que os carregue. Tanta sentinela e tanto flauteio para na...

culpa

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Hände , 1963 Gerhard Richter Esta noite enquanto me fechava da vida, módico, sonhei. O fogo do Senhor rondava as minhas mãos. Infectas. Com a esquerda, trémula, escrevia: to serve and obey Thee. On my hands the iniquity and the frailty of us all . Acordei, sem sacão mas assustado. As mãos doíam-me e pareceram-me inchadas, como se tivesse dado uso feroz aos punhos sem a protecção das luvas almofadadas dos pugilistas, sem dono. Vocalizei o fragmento pio. Do timbre que ouvi vi-me nos sete anos, desamparado, clandestinamente infeliz. Gemi, parecido a uivo, da pulsão de abrigo que precedera. Concessão breve. Desci da cama para o chão do quarto e detive-me na Razão que atormenta a consciência. Os monólogos da restauração revoltam-me. Como a celebração da amenidade, a expiação programada, o desejo de aplauso, a forma altiva da bondade, a supremacia do animal sensível, a fatalidade da Morte. É tarde demais para cotejar a Infância e o Direito Humano.

que as moscas pousem

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Marcel Broodthaers, Fémur de la femme française , 1965